Os primeiros 100 dias de governo passaram como se não tivessem sido. Ou pior, passaram só para nos dar certeza de que estamos diante de um governo extremamente avesso aos valores democráticos, às universidades e aos trabalhadores como um todo.Nesses 100 dias, nenhuma palavra sobre as condições de vida dos trabalhadores, nenhuma sinalização de diálogo com os servidores públicos e muitas, muitas garantias ao mercado financeiro e um festival de subserviência ao império americano.

Foram 100 dias de uma tentativa grosseira de revisionismo histórico, negando a ditadura militar e o golpe de 1964, alegações de que o nazismo é de esquerda e outras mais, que justificam o desprezo que este governo devota às universidades, a pesquisa e à pluralidade de pensamento. Foram pouco mais de 03 meses em que vimos o feminicídio, já em índices alarmantes, entrar em uma curva ascendente, vimos jovens perpetrarem um massacre em uma escola, e o exército executar com 80 tiros um músico negro, dentro de seu carro com a família, duas crianças inclusas.

Nestes mesmos 100 dias, vimos o MEC patinar sem rumo, deixando ao léu toda a política pública educacional, em um país, pasmem, que necessita melhorar as condições de trabalho dos professores e as estruturas das escolas, além de ampliar o acesso de sua população ao Ensino Superior. Para quem vive o dia a dia das universidades federais esses 100 dias significaram mais cortes, mais arrocho e a acusação leviana de que não passamos de doutrinadores de um tal de “marxismo cultural”, ideia tão esdrúxula que nem mesmo merece ser refutada, por partir de pessoas que simplesmente não conhecem a rotina das universidades brasileiras. 

Agora, após a inação do colombiano, recebemos mais um ministro, desta vez com ampla experiência...no mercado financeiro. Ele junta um impressionante currículo de bons serviços ao mercado financeiro com baixa produção acadêmica, voltada principalmente para o principal interesse do mercado: a reforma da Previdência. Um ministro que acredita que as universidades do Nordeste não deveriam dedicar-se à filosofia ou sociologia, em uma abordagem infeliz, ao desconsiderar a contribuição do Nordeste às mais diversas áreas do saber. Aprofundam-se ainda as tendências pela instalação de um modelo mercantilista da educação, que vem somar-se às declarações de Bolsonaro durante a posse do ministro, onde considerou que a educação deve garantir que os jovens se afastem da política.

Resistir está na ordem do dia! Os próximos dias, meses e anos deste governo serão muito semelhantes aos primeiros 100: muitos ataques aos direitos, muita incompetência administrativa e truculência crescente. Só a organização de toda a classe trabalhadora pode impedir os retrocessos. Só fortalecendo os sindicatos poderemos lograr a união necessária para barrar a reforma da previdência e defender os direitos.

Diretoria Colegiada do Sintufce

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