Fortaleza, 15 de abril de 2021.

A toda comunidade da FACED

A toda comunidade da UFC

A toda sociedade cearense e do Brasil

Assunto: Nota de Indignação e Tristeza – Luto Oficial

Prezadas discentes, docentes e TAE da FACED e da UFC

Senhoras cidadãs e senhores cidadãos,

Vivemos tempos muito difíceis em âmbito políticos, social, econômico e na saúde física e mental de cada individuo e na sociedade em geral. Tempos em que sentimentos e emoções são aflorados a cada dia, permeados de esperança, resilência, coragem, compaixão e solidariedade, mas também de sofrimento, dores, conflitos, indignação, impotência, medos e incertezas. Assistimos também, perplexos, tantas atitudes de descasos,  indiferenças,  ganância, injustiças e indiferenças, manifestadas por cidadãs/cidadãos comuns e autoridades das diferentes esferas da sociedade, como se não estivéssemos vivendo uma tragédia coletiva.

Diante deste contexto, a Diretoria da FACED, em nome de sua comunidade, vem à público externar sua tristeza e indiginação. Ontem perdemos uma querida e estimada colega e amiga de trabalho. Foi a gota da d’água, em nosso mar de tristezas, de tantas perdas e sofrimentos que já que atigiram discentes, docentes e TAE, bem como, seus familiares. Diante de mais essa triste perda, declaramos luto oficial na FACED nos dias 15 e 16 de abril e expressamos, com maior intensidade, nossas indignações e tristezas manifestas nas palavras sinceras, acolhedoras e clamantes de reflexões e novas atitudes por parte de cada um de nós. O clamor da mensagem da Profa. Patrícia Helena Carvalho Holanda, do Departamento de Fundamentos da Educação é também o nosso clamor. Segue sua mensagem que expressa nossa nota de tristeza e indignação.

“É com indignação e muita tristeza que recebi a notícia da partida da nossa colega Márcia Siqueira da Cunha, com 34 anos, a nossa Secretária da Coordenação do Curso de Pedagogia, na modalidade EAD. Ela era tão querida, competente e dedicada. Ela que era tão cheia de sonhos e contava-me seus planos com uma alegria quase infantil quando nos encontrávamos na secretaria. Tratávamos sobre os assuntos dos cursos da Educação a Distância e depois conversávamos sob amenidades. Falávamos dos seus projetos de fazer curso e crescer tanto na sua profissão até tocar as estrelas como se o tempo não fosse nenhum impeditivo e as vicissitudes fossem superáveis.

Hoje a Marcia que sonhava com sua carreira na educação foi arrancada do convívio dos seus familiares, amigos, das pessoas que amava e dos colegas de trabalho. Ontem foi o Kildare, secretário do Centro de Ciências também jovem e cheio de sonhos e planos e tantos outros professores, funcionários e alunos que já partiram para outros planos. Até quando nós vamos guardar nosso lamento para nós mesmos? Até quando vamos deixar essas pessoas serem apenas mais um número na estatística? Até quando vamos deixar ser apenas uma nota de pesar e divulgar no site da UFC?

Falo como mãe, cidadã, educadora e psicóloga: não podemos deixar as pessoas serem apenas mais um número que compõe a estatística. Precisamos divulgar o nome e dizer quem são essas pessoas vítimas desse genocídio. Precisamos chorar nossos mortos. Precisamos gritar até a dor de mais 350 mil famílias sejam ouvidas. Proponho que os nossos sindicatos dos professores, dos funcionários e os Centros Acadêmicos divulguem notas sempre que perdermos um dos nossos. Proponho mais que luto, luta.

Não podemos silenciar essas mortes. Quem sabe se com esse exemplo a gente rompe essa inércia e pensemos em mais forma de agir. Adeus Marcia! Espero que sua alegria de viver e esperança no futuro nos ensine que devemos lutar pela vida, sobretudo, dos jovens e crianças!!! Meus sentimentos às todas as perdas de uma pandemia que tem o tom do genocídio e das políticas de fazer morrer”.

Atenciosamente,

Profa. Heulália Charalo Rafante

Diretora da FACED