Neste 1º de Maio, não teremos os tradicionais atos das centrais sindicais, dos movimentos sociais e das trabalhadoras e trabalhadores que lutam por mais justiça social e em defesa dos direitos. Diferente da direita raivosa que sai irresponsavelmente às ruas em carreatas da morte e, pasmem, colocando seus empregados e colaboradores literalmente de joelhos na frente das suas lojas para defenderem os interesses dos patrões. Neste 1º de Maio, o Sintufce e outros sindicatos estarão e mantendo o isolamento social, ocupando as redes sociais e engrossando o grande panelaço contra as medidas do governo às 20h30.

A Pandemia que arrasa com a vida dos brasileiros mais pobres evidencia a brutal desigualdade que vivenciamos em nosso país e que tem se agravado, graças às políticas de austeridade que vêm sendo aplicadas desde o golpe: O Teto de Gastos, a Reforma Trabalhista, a reforma da previdência e outras, tão ou mais nefastas do que essas, que estão por vir ou que já estão sendo aplicadas na calada da noite. 

Bolsonaro deixa de lutar contra o Coronavírus para lutar contra os brasileiros. Desde o Início, colocou-se contra o isolamento social e trabalhou para não garantir que os trabalhadores pudessem ter segurança financeira e estabilidade nos empregos para protegerem a si e a suas famílias. A atuação dele sempre foi e será, mesmo durante a Pandemia, em defesa dos patrões. Neste momento, milhões de trabalhadores estão perdendo renda, graças a seu projeto de suspensão dos contratos de trabalho. A Renda Básica Emergencial, projetada por Paulo Guedes para ser apenas R$ 200,00, foi ampliada para R$ 600,00 pelo congresso. No entanto, o governo complica e desinforma, deixando milhões de brasileiros em suspense. O atraso nos repasses e nas análises é criminoso diante de brasileiros que já estavam desempregados e às voltas com uma difícil situação de desamparo e aperto financeiro.

Enquanto isso, Paulo Guedes se volta contra os servidores públicos. A ameaça de congelamento e cortes de salários não é nova. De tempos em tempos, ele levanta essa bola à espera de alguém que compre a ideia e nos massacre. Agora, diante da crise gerada pelo Coronavírus, eles redobram a aposta, justificando esse ataque como necessário para financiar as ações contra a COVID-19.

Esse governo não pode esperar. Ainda no começo das medidas de isolamento lançou uma Instrução Normativa, a IN-28, que atacava a renda dos servidores, determinado o corte de inúmeros benefícios. As universidades, que tão logo viram os decretos de isolamento dos governos estaduais, passaram a operar por meio de atividades remotas, e que deveriam resistir, em defesa dos servidores, que em momento algum deixaram as  universidades pararem, apenas abaixaram a cabeça e foram em maior ou menor grau, cedo ou tarde, cumprindo essa IN, deixando o servidor entre dois fogos: ou o corte de rendimentos, em um momento em que é necessário ao servidor contar com a totalidade de sua renda ou o retorno às atividades presenciais, expondo ele e a sua família ao risco de contaminação.

Perguntamos: valerá a pena? O SINTUFCE já ajuizou ações contra esse corte e espera que a Justiça compreenda que este não é o momento para que cortes sejam feitos à renda dos servidores. Pelo contrário, este é o momento de reforçar a renda do trabalho, das atividades laborais de todos os trabalhadores. Tudo isso é feito sob o argumento de salvar a economia, mas que moral tem em falar em salvação da economia um governo que, antes da pandemia, nada tinha para apresentar aos 13 milhões de desempregados no país? Um governo que deixou os brasileiros à própria sorte quando comemora o aumento da informalidade e das atividades de trabalho precárias e sem qualquer tipo de assistência? Como pode falar em salvar a economia quando vemos, cada vez mais, o país minguar em recursos e o fechamento de importantes indústrias, reduzindo-nos ao papel de simples fornecedores de matérias-primas?

Nossas universidades veem o corte de investimentos em cada orçamento que esse governo prepara, convive com a falta de servidores porque não liberam as vagas necessárias e, ainda, são ameaçadas por um programa de privatização muito mal-ajambrado, chamado ironicamente de “Future-se”, quando sabíamos que seu objetivo era só nos levar para trás. A articulação de docentes, técnicos e discentes não permitiu que o descalabro fosse
adiante.

Não obstante, o ódio à universidade pública continuou. O ministro nos acusa de balbúrdia, de termos extensas plantações de maconha e outras mentiras. Diariamente, a direita lança sobre essa universidade e sobre os que a constroem as mais diversas acusações. Entretanto, foram essas universidades, esses servidores, que se colocaram na linha de frente contra o Coronavírus. Auxiliam de diversas formas: fazendo exames, divulgando dados, doando EPI’s, fabricando máscaras, entre outras atividades. Em conjunto, as universidades públicas fizeram mais do que todo o governo Bolsonaro.

No Complexo Hospitalar da UFC, os servidores estão na linha de frente contra o Coronavírus e, apesar da EBSERH, têm desempenhado com heroísmo suas atividades. Mesmo assim, não podemos só saudar os servidores! Devemos exigir condições seguras de trabalho para todos, com o uso de equipamentos de proteção individual e o afastamento dos servidores em grupo de risco. Nosso sindicato tem feito essa cobrança e caminhado lado a lado com estes servidores, inclusive doando EPI’s com esta finalidade!

Por isso chegamos aqui nesse 1º de Maio para dizer a todos: CHEGA! Vamos lutar, vamos colocar um ponto final na barbárie fascista que tem tentado destruir a carreira dos servidores, para evitar que estes continuem a trabalhar em prol da sociedade. Vamos dar um basta no autoritarismo deste governo que intervém nas universidades e IF’s e impõe reitores e diretores que não representam o projeto que a comunidade acadêmica defende.
Vamos seguir na luta, pois o 1º de maio não é um dia de festa, é um dia de luta e LUTA. É o que o Sintufce tem feito e muito bem feito durante toda a sua história!

Pelo direito de Isolamento Social a todos os trabalhadores, com estabilidade para todos e salários pagos pelo Governo Federal! Revogação imediata da IN-28! Nenhum corte nos benefícios dos servidores! Contra o congelamento de salários! Os trabalhadores do serviço público não podem pagar pela crise! Fora Weintraub! Fora Paulo Guedes! Fora Bolsonaro!

1º DE MAIO DE LUTA! TODOS PARTICIPANDO DO PANELAÇO ÀS 20h30!

Diretoria Colegiada do Sintufce
Gestão Lute

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