O SINTUFCE nasceu em meio à luta contra a Ditadura Militar, que culminou com o retorno da Democracia e a Constituição de 1988. De lá para cá, estivemos sempre lutando em defesa da Educação Pública, da Universidade e dos direitos dos servidores. Acreditamos que existe muito a avançar para que a democracia brasileira possa ser verdadeiramente representativa, sem as distorções que o poder econômico causa, desfavorecendo alguns e favorecendo a outros, mas, ainda assim, é preciso fazer a defesa. Conviver com o diferente, respeitar as posições e buscar melhorias na base do diálogo está na base do sistema democrático e é essa vivência que procuramos desenvolver em nossas relações com as universidades e com os servidores que constituem a nossa base.

Por isso, quando em 2018, vimos a chegada ao segundo turno de um candidato que exaltava a memória da ditadura e de suas mais asquerosas ferramentas, como a censura e a tortura, o SINTUFCE se posicionou contra ele. Fez isso, justamente pelo apreço à democracia e por ter consciência de sua postura enquanto entidade classista, que entendia que o programa de Bolsonaro, além de autoritário e abertamente ofensivo às mulheres e às minorias, era também um programa que atacaria o serviço público e buscaria destruir os direitos da população brasileira, solapando o Estado.

Passados pouco mais de dois anos da fatídica eleição, infelizmente, a análise realizada pelo SINTUFCE se mostrou certeira. Bolsonaro aprovou a Reforma da Previdência, que, na prática, retirou a possibilidade de aposentadoria digna de milhões de brasileiros. Como se não fosse suficiente, realizou a pior condução em todo mundo dos esforços contra Pandemia provocada pelo Novo Coronavírus, quando, por omissão, leniência e interesses escusos, deixou morrer à míngua mais de 270 mil brasileiras e brasileiros até agora. Levantou ainda uma falsa polêmica entre salvar vidas e salvar a economia, sacrificando a saúde e a vida de toda uma nação e buscando salvaguardar o interesse financeiro das elites no mercado financeiro.

Praticamente, Bolsonaro sentou e esperou pelo pior, enquanto o mundo inteiro investia em vacinas e no isolamento social com o lockdown, deixando aos brasileiros um investimento milionário em um ineficaz “tratamento precoce”, a jabuticaba da vez, já que nenhum outro país utilizou esse “kit covid” como estratégia de saúde. O governo trocou o combate à pandemia pelo ataque puro e simples aos servidores e aos direitos, ao insistir em tocar para frente suas reformas neoliberais e usando o auxílio emergencial, essencial para ajudar os mais pobres a passarem por este momento tão difícil, como moeda de troca para um ajuste duríssimo contra aqueles servidores que estão neste momento na linha de frente contra a COVID-19 e atuando para minorar os efeitos perversos da Pandemia nas vidas das brasileiras e brasileiros.

Apelamos aos camaradas que chegaram a se iludir com esse governo que reconsiderem. Reflitam. Foi para isso, para esse menosprezo à vida que vocês utilizaram o seu direito de votar? Foi para terem o orçamento das universidades cortado e seus salários congelados, agora constitucionalmente, que vocês deram seu voto a Bolsonaro? Acreditamos que não! Por isso, chamamos vocês a se somarem aos milhões que nesse momento expressam a sua indignação e dizem com todas as forças: NÃO a Bolsonaro e a seu governo de morte e destruição!

Negacionismo, terraplanismo científico e econômico são os legados desse governo. Um governo que precisa ser detido por ameaçar a vida de milhões, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. No mundo inteiro, a agenda neoliberal foi interrompida e, em alguns casos, revertida, porque apenas o Estado tem condições de atuar de forma planejada para atender a uma crise das proporções que a COVID-19 provocou. Aqui, seguem destruindo o Estado e, pior, sob aplausos do mercado, que se mostrou insensível diante da morte e do colapso do sistema de saúde em todo o país.

Agora, mais uma vez, Bolsonaro nos ameaça com a ditadura. Mais uma vez afirma ser fácil instalá-la. Estamos aqui para dizer que, como de outras vezes, o “mito” de araque está errado. A união das trabalhadoras e trabalhadores do serviço público e da iniciativa privada, do campo e das cidades, dos professores, professoras, das técnicas e técnicos das universidades, dos estudantes, saberá barrar os arroubos autoritários do Capitão Bolsonaro e seus milicianos. A mobilização dos trabalhadores derrotou a ditadura nos anos 1980. Agora, nos anos vinte de nosso século, essa mesma mobilização irá rechaçar as tentativas de destruir a nossa democracia. Não aceitaremos ameaças, já nos tiraram muito. Não vão retirar a nossa voz, nossa liberdade e tudo o que construímos até aqui: o SUS, a Universidade Pública, Gratuita, de Qualidade e Socialmente Referenciada, as cotas, o combate às discriminações de raça e gênero e tantas outras pelas quais lutamos.

Resistiremos porque este sindicato deve isso àqueles que o fundaram e que o trouxeram até aqui. Resistiremos porque o SINTUFCE tem a luta por um país e por dias melhores em seu DNA. Resistiremos porque temos e acreditamos em um projeto de país mais justo, soberano, com igualdade e justiça para todas e todos. Resistiremos também porque sabemos que os técnico-administrativos em educação são combativos e cerrarão fileiras junto com o SINTUFCE na defesa da democracia!

Ditadura Nunca MAIS!

Fora Bolsonaro, Mourão e Paulo Guedes!

Pela Revogação do teto de Gastos e da PEC Emergencial

Auxílio e Vacina para todos já!

 

Diretoria Colegiada do Sintufce

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