Charge da independencia

 

“Infeliz a nação que precisa de heróis.” (Bertolt Brecht)

Este ano, o Brasil comemora 200 anos de independência política. A efeméride caminha para ser apropriada pela extrema direita e usada para açular golpistas de todas as estirpes e engabelar as trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. Trouxeram, pasmem, o coração de Pedro I ao Brasil para compor essa ópera bufa de nacionalismo vira-lata. Um ato desnecessário e deslocado. Dizemos isso, primeiro, porque mesmo quando ainda pulsava no peito do autoritário imperador, esse coração já estava em Portugal, mesmo quando este ainda reinava sobre os brasileiros.

Sua abdicação, em 1831, foi resultado disso: os brasileiros não podiam suportar que o soberano dedicasse mais atenção aos problemas dos portugueses na Europa do que dos brasileiros, aqui. Depois, entendemos que o culto ao “homem do grito” ficou datado e sem sentido. A independência do Brasil não foi o ato isolado de um príncipe português sobre o lombo de uma mula. Ela foi conquistada pela luta das brasileiras e brasileiros, pelos exércitos populares de negras e negros, de mestiços, do povo pobre que combateu os portugueses, nas ruas de Salvador, nos sertões do Piauí e em muitos outros locais. Conquistada pelas tropas de voluntários, que partindo do nosso Cariri, deram combate incessante por liberdade, pelos sertões afora!

Não podemos ainda esquecer que o sonho de liberdade foi sufocado por D. Pedro I, ao fechar a Assembleia Constituinte de 1823 e impor à nação uma constituição que lhe garantia poderes máximos e nenhuma responsabilidade, sonho dos autoritários de hoje, no Palácio do Planalto e na Reitoria da UFC.

Abortada e sufocada a liberdade pelo soberano português com apoio da aristocracia, vimos sair os senhores portugueses, trocados pelos ingleses e, depois, pelos ianques. Tudo isso mediado por uma elite que se contenta com a exploração duríssima do povo trabalhador e se manter confortavelmente assentada sobre seus privilégios de classe, sobre o machismo, o racismo e a lgbtfobia. Ainda hoje, o grande capital mantém as trabalhadoras e trabalhadores em cadeias de exploração e miséria cada vez maiores e mais pesadas.

Por isso, propomos  uma ressignificação desses 200 anos de independência. Que a data marque um momento de luta contra a miséria, o desemprego, os cortes de direitos e contra todas as opressões. Uma data na qual os trabalhadores do campo e das cidades, do serviço público e da iniciativa privada, as mulheres, as negras e negros, a comunidade LGBTQIA+ possam unificar suas lutas e marchar por um país verdadeiramente independente!

Não se faz independência sem luta e não se pode ser independente de verdade sem democracia! Esta só pode ser efetiva quando os direitos de todas e todos são respeitados e a desigualdade seja combatida! Não se tem independência, com milhões passando fome, com milhões desalentados, vendo um futuro incerto para nossas crianças Não se tem independência sem valorização dos servidores públicos, sem saúde, segurança e educação a todas as brasileiras e brasileiros!

Independência se faz com investimentos na ciência e na tecnologia, com universidades livres, democráticas e abertas ao povo trabalhador. Universidades que entendam que a sua missão é atender aos interesses das trabalhadoras e trabalhadores, desenvolvendo a soberania necessária para extirpar a fome e a miséria, e garantir que são os interesses do povo e não os do Grande Capital, nem os do Sistema Financeiro nacional e internacional que guiam suas atividades! Uma universidade com reitores eleitos, de forma paritária, por toda a comunidade!

Essa é a independência que queremos construir, sem heróis, sem ditadores e sem interventores. Uma independência que garanta a todas e todos a possibilidade de realizar nossos sonhos! O SINTUFCE quer que os 200 anos de independência, neste 7/09 sejam o marco, não apenas de novas lutas, mas de esperança e da certeza de um Brasil melhor, verdadeiramente livre, para todas e todos! Por isso, reafirmamos que é preciso somar todas as forças para derrotar Bolsonaro e seus aliados, em Brasília, no Ceará, no Congresso Nacional e em nossas Universidades! Vamos caminhar com Lula, para dar fim ao mais nefasto governo que este país já teve.

EM DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA GRATUITA E SOCIALMENTE REFERENCIADA!

SINTUFCE DE TODAS AS CARAS, DE TODAS AS CORES E DE TODAS AS LUTAS

 

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