“E o que tenho para dizer à Universidade como artigo primeiro, como função essencial de sua vida(...)?
Tenho que dizer que se pinte de negro, que se pinte de mulato. Não só entre os alunos, mas também entre professores. Que se pinte de operário e camponês, que se pinte de povo, porque a Universidade não é patrimônio de ninguém e pertence ao povo (...)

E o povo (...) está hoje às portas da universidade, e a universidade deve ser flexível, pintar-se de negro, de mulato, de operário, de camponês ou ficar sem portas. E o povo a arrebentará e pintará a Universidade com a cor que melhor lhe pareça.”

Che Guevara

As palavras do revolucionário da América Latina vêm muito a calhar neste momento, em que a Universidade brasileira se encontra em uma encruzilhada: por meio das cotas, recebeu milhares de estudantes negros, índios, das classes mais pobres, estudantes camponeses, sertanejos e das periferias do país. No entanto, é indisfarçável o incômodo de uns e outros com essa Universidade e já houve até ministro verbalizando seu desejo de limitar a universidade à uma elite.

A UFC deu mostras, na semana passada, de que ainda tem um longo caminho para realmente se transformar num espaço de inclusão de todos os cearenses. O ataque covarde a um estudante negro nos mostrou que é preciso fazer com que a inclusão saia da letra da lei e se incorpore ao dia a dia da universidade!

Repudiamos a atitude da segurança patrimonial da UFC em relação aos seus alunos. Sabemos das dificuldades que enfrentamos em nossa cidade, com a violência solapando, dia após dia, a vida da nossa população. O Campus do Pici, por suas dimensões e estruturas, tem sido palco de uma série de casos envolvendo alunos, servidores e a comunidade. Entretanto, uma instituição de ensino como a UFC não pode responder violência com violência. Não acreditamos que a truculência seja opção onde se cultiva o debate de ideias.

Defendemos uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, e não podemos concordar com posturas racistas, truculentas que privem nosso povo do convívio com o ambiente universitário. Exatamente porque a Universidade é de TODOS!  Manifestamos nosso apoio ao estudante Luiz Fernando de Lima Teixeira, do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC), que relatou ter sido vítima agressão por racismo quando tentava entrar no Campus do Pici, no 17 de junho.

Exigimos a apuração do fato e a responsabilização dos envolvidos. A UFC será negra, indígena, LGBT, operária, camponesa, enfim, será um reflexo do nosso Ceará! Lutaremos sempre por isso! O autoritarismo que se espraia desde o governo federal não vicejará em nosso Estado!

Diretoria Colegiada do Sintufce

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